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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Maomé versus Rasmussen

Anders Fogh Rasmussen

Durante a Cimeira de Estrasburgo de 2009, foi nomeado oficialmente o futuro Secretário-Geral da NATO para entrar em funções ainda este ano, em Agosto: Anders Fogh Rasmussen, actual Primeiro-Ministro dinamarquês.

Aclamado por vários países europeus e pelos EUA, criticado pela Turquia e pela população muçulmana no resto da Europa.

A divergência surge precisamente pela postura do Primeiro-Ministro quando há três anos se recusou a apresentar um pedido de desculpas pela exibição de um cartoon considerado ofensivo do Profeta Maomé em vários jornais do país.

Parece que a indignação permanece e a realidade é que a Turquia tem tido uma atitude ofensiva, rejeitando totalmente a nomeação de Rasmussen como Secretário-Geral. Não só apontam os problemas causados pelos cartoons, mas também a falta de esforços em proibir a emissão do canal televisivo curdo Roj Tv na Dinamarca. Ora englobando estas convicções, a Turquia tem Rasmussen como alguém que não respeita os valores e costumes islâmicos e que isso pode dificultar as relações com a sociedade muçulmana.
A oposição turca surge precisamente num momento em que a NATO está a desenvolver fortes esforços de reconstrução do Afeganistão e no âmbito militar, onde a Turquia tem precisamente 900 soldados na missão. E esta controvérsia à volta de Rasmussen está realmente a por em causa alguns valores pelos quais a Turquia se guia e se associa à organização.
Mas a questão que aqui reside e que muitos referem, é que a Turquia, parece estar a colocar um cartoon acima do futuro da NATO. E está a levar um forte apoio da uma população muçulmana consigo.

Estamos a falar de um país com relevância no sistema internacional, que está a descurar os valores e princípios essenciais num representante da NATO em prol de uma situação que apenas tem a ver com a ponderação do relativismo cultural.
A verdade é que Rasmussen tem o apoio dos países da NATO, à excepção da Turquia, e por isso dificilmente a decisão será mudada.

Mas é preciso pensar que em situações como esta, existe uma Turquia pronta a defender os seus valores e tradições próprios sem qualquer tipo de ponderação ou tolerância para alguém que acusam precisamente de ser intolerante com a cultura muçulmana.
Existem outras prioridades, mas a realidade é que as reacções já se fazem sentir e alguns representantes europeus já põem em causa a já de si dificil entrada da Turquia à UE.
E a dúvida vai permanecendo: até que ponto é que a Turquia se pode (in)adaptar às eventualidades? Até que ponto uma organização como a NATO pode permitir uma divergência como esta quando os objectivos essenciais passam pela cooperação e integração?



domingo, 26 de abril de 2009

Na rota da cooperação: a primeira visita oficial ao Tajiquistão

Foi entre os dias 20 e 22 de Abril de 2009 que decorreu a primeira visita oficial da Assembleia Parlamentar (AP) da NATO ao Tajiquistão, pela delegação do Comité da Dimensão Civil de Segurança, liderada pelo vice-presidente, Vitalino Canas, e pelo Secretário Geral da AP da NATO, David Hobbs. Este encontro incluiu ainda os mais altos representantes do país, nomeadamente o Presidente do Tajiquistão Rahmon, o Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) Hamrokhon Zafiri, embaixadores e organizações internacionais, que se traduziu essencialmente na cooperação estabelecida entre a NATO e o Tajiquistão, bem como a sua importância estratégica enquanto país vizinho do Afeganistão.

Ora, antes de mais convém referir que o Tajiquistão é um dos países mais pobres da Ásia Central, cuja guerra civil (1992-1997) destruiu uma economia já de si débil. Apesar de possuir fortes recursos naturais (gás, urânio, ouro e prata), a sua indústria hidroeléctrica, alimentar e do alumínio são pouco desenvolvidas e a sua principal produção de algodão tem sido fortemente afectada com a descida dos preços da matéria-prima. E, para além do mais, a situação agrava-se com a inclusão do território tajique na rota afegã na proliferação do terrorismo e do tráfico de droga.

E por isso, tem-se assistido a uma procura permanente da NATO em fomentar as relações com o Tajiquistão, na medida em que têm evoluído os esforços na cooperação com todos os países que procuram a estabilidade no Afeganistão.

De facto, esta foi uma das problemáticas mais discutidas nesta visita, nomeadamente a importância do Tajiquistão na ajuda à estabilização e reconstrução do país vizinho. De acordo com o MNE Zafiri, "a segurança e a estabilidade da Ásia Central depende fundamentalmente da situação no Afeganistão" e por isso o Tajiquistão tem desenvolvido iniciativas conjuntas no âmbito do treino e formação de militares e do controlo de fronteiras.

Além disso, o tráfico de droga foi outro assunto desenvolvido, visto permanecer um dos maiores problemas naquela região, e especificamente no Tajiquistão que partilha cerca de 1400 km de fronteira com o Afeganistão, de ondem vem grande parte da produção. O presidente Rahmon defende a importância estratégica do Tajiquistão, na medida em que se poderia tornar numa zona tampão e impedir o alastramento do tráfico de drogas e do terrorismo.

O que eu creio ser importante nesta visita da delegação a um país como o Tajiquistão é efectivamente a adaptação estratégica da organização no combate ao terrorismo, na proliferação da segurança e estabilidade na missão com o Afeganistão. A aposta em cooperar com outros países em prol da missão, tem facilitado não só o sucesso da missão em si, como também à integração e desenvolvimentos dos países intervenientes. Não só no Tajiquistão, como no Uzbaquistão e no Paquistão, onde são permitidas uma rota alternativa para a circulação de tropas e mantimentos no Afeganistão. Assistimos ao aumento da esfera de influência da NATO no sentido da cooperação e segurança alargados a outros países com semelhantes objectivos, cujo seu precurso deve ser seguido, ao mesmo tempo que a sua importância estratégica parece aumentar.

Mais pormenores acerca da visita do comité ao Tajiquistão: NATO Parliamentary Assembly